:: aeroplano desgovernado ::
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...um aeroplano desgovernado pode ser duas coisas: ou algo que não sabe para onde vai ou algo que decide por conta própria, sem precisar ter um governo que o guie, engraçado porque a palavra governo parece algo como direção, ao contrário do que a história da civilização tem nos mostrado. Enfim, encontre aqui momentos e temas de reflexão sobre várias coisas que o nosso mundo reproduz e não analisa...


Quinta-feira, Julho 19, 2007


Regulação da publicidade: direitos das crianças devem prevalecer sobre interesses comerciais
16/07/2007 22:08 Por Rogério Tomaz Jr.*

*Especial para o Boletim FBSAN


O título acima resume a principal conclusão a que chegaram os participantes da oficina "Regulação da publicidade de alimentos para crianças e adolescentes: uma questão de direitos humanos", realizada no dia 04/07, durante a III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em Fortaleza(CE).



Organizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pelo COMIDhA (Comitê Nacional de Implementação do Direito Humano à Alimentação Adequada), a oficina discutiu os princípios que norteiam a idéia da regulação sobre a publicidade de produtos que podem representar riscos à saúde, conforme estabelece a Constituição Federal (Art. 220).



A proposta de resolução da Anvisa para regulamentar alimentos não saudáveis – ricos em gordura, sal e outras substâncias nocivas, se consumidas em excesso – destinados ao público infantil também mereceu intenso debate na atividade, que durou cerca de duas horas.



Construída durante mais de um ano de trabalho, com a participação de diversos segmentos da sociedade civil, inclusive das indústrias de alimentos e do setor publicitário, a proposta de resolução ficou em consulta pública, no site da Anvisa, durante cem dias e foi objeto de audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado, em junho passado.



A próxima etapa do processo será a realização de uma audiência pública, chamada pela própria Anvisa, na qual esta apresentará a sistematização das contribuições à consulta e a nova redação da proposta de resolução.



Reacionarismo e distorção da democracia - A postura das indústrias de alimentos e do setor publicitário, até o momento, não foge ao cânone universal do setor privado quando a sociedade busca regular a sua atuação. "Nossos alimentos são seguros e não oferecem qualquer risco", "regulação é o mesmo que censura", "o controle remoto é a melhor regulação", "a alimentação das crianças é responsabilidade dos pais", entre outros argumentos, são comumente empregados, com pequenas variações, na defesa dos interesses comerciais, ainda que estes não sejam assumidos explicitamente. O mesmo estilo, que desqualifica a priori as posições divergentes e não aceita a prerrogativa de controle social por parte da sociedade, é adotado em relação à norma de classificação indicativa para programas de televisão. Até comparações ao nazismo foram usadas para depreciar a norma, dispositivo também previsto na Constituição e existente em todos os países desenvolvidos.



Até a criação de neologismos, como sempre lembra o professor Edgard Rebouças (UFPE), especialista em estudos sobre regulação da publicidade no mundo, são utilizados pelos porta-vozes dos "piratas" – pois estão sempre em busca do nosso dinheiro – da alimentação e da publicidade. É o caso da "liberdade de expressão comercial", categoria literalmente inventada por marketeiros e que é defendida como prerrogativa absoluta, sem levar em conta sequer os direitos humanos consagrados na Constituição e nos tratados internacionais, com destaque para os direitos das crianças, prioridade absoluta em nossa legislação.



Além disso, apesar de possuírem assento no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), as indústrias de alimentos não participaram da III Conferência Nacional de SAN. Tal opção não surpreende. O setor privado não precisa se expor em espaços e instâncias de debate público e democrático sobre as questões de interesse público. Seu diálogo com o poder se realiza sem intermediários e diretamente com os mandatários centrais, seja no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário, em qualquer nível federativo. Privilégio – e artifício – de quem possui recursos econômicos para influenciar, segundo sua ótica particular, os destinos da democracia.



Em alguns países, como Suécia, Noruega, Canadá, Austrália, Estados Unidos, Itália e vários outros, a restrição à publicidade destinada ao público infantil é bem mais rigorosa - na Suécia é simplesmente vedada qualquer propaganda voltada a este público - do que a proposta de resolução da Anvisa. Tal contexto, confrontado com a posição refratária de empresas e publicitários, nos leva à seguinte indagação: em que mundo vivem os lobistas das grandes multinacionais de alimentos e os criativos publicitários das agências que trabalham para estas corporações? Será que eles não se sentem parte do problema - ou da solução - do aumento vertiginoso, em nosso país, da obesidade infantil e das tantas e tão sérias doenças relacionadas a esta problemática?



Independentemente da resistência de uns e outros, organizações de direitos humanos, de defesa dos direitos das crianças e adolescentes, de defesa do consumidor, pesquisadores e entidades das áreas da saúde, comunicação e outras, bem como inúmeros agentes do poder público vão seguir em frente na implementação de políticas públicas que protejam os direitos da sociedade brasileira contra os potenciais males causados pela voracidade que caracteriza a lógica mercantilista (ainda) fortemente hegemônica em nossa sociedade.



Mais informações:

http://www.abrandh.org.br/publicidade

http://www.anvisa.gov.br



Rogério Tomaz Jr. é jornalista da Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos (ABRANDH), entidade integrante do COMIDhA e do FBSAN, e membro do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social.






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Quinta-feira, Novembro 16, 2006




hehehe como tem gente que se engana :P mas sabe que a desilusão tem dois lados: o ruim pq acaba com a ilusão que temos, e o bom pq descobrimos a verdade...qual vc prefere? hehehe



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Sábado, Novembro 11, 2006

CAMPANHA FREE HUGS :: ABRAÇOS GRÁTIS!

O movimento começou na bélgica e já passou por um monte de países com o objetivo de, simplesmente, alegrar o dia de alguém e mostrar que o amor pelo próximo ainda existe!

veja o vídeo sobre a campanhahttp://www.youtube.com/watch?v=vr3x_RRJdd4


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Terça-feira, Novembro 07, 2006

eu não sei dizer nada por dizer...então eu escuto...fala (secos e molhados)


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anh?


postado por: Camilla Valadares

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Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Entra em vigor a Lei Maria da Penha, mas o Orçamento Federal para combate à violência é reduzido em 2007



22 de setembro: entra em vigor a Lei Maria da Penha de combate à violência contra as mulheres e apesar disso PLOA 2007 prevê 42% a menos de recursos do que foi autorizado na LOA 2006 para o Programa de Combate à Violência contra as Mulheres

Apesar da sanção da Lei 11.340 (Lei Maria da Penha), que inova nas estratégias de enfrentamento desse problema, a PLOA 2007 prevê apenas R$ 7.109.007. Em 2006, foi autorizado o montante de R$ 12.285.837 para o Programa de Combate à Violência contra as Mulheres.

A nova lei preenche uma lacuna legislativa, no entanto, sua implementação passa necessariamente pela destinação de recursos para as políticas públicas a fim de efetivar os direitos previstos. A própria Lei prevê que a União estabeleça dotações orçamentárias específicas em cada exercício financeiro para a implementação das medidas estabelecidas (art. 39 da Lei 11.340/06).

Outro ponto importante é a execução orçamentária do programa de combate à violência contra as mulheres: até julho de 2006 foram empenhados R$ 6.122.101, quase o mesmo valor que se pretende destinar para todo o ano de 2007.

Atualmente, o Programa de Combate à Violência Contra as Mulheres compreende três ações:

* apoio aos serviços especializados no atendimento às mulheres em situação de violência (centros de referência, casas abrigos etc);

*capacitação de profissionais para o atendimento às mulheres em situação de violência;

* incentivo à formação e ao fortalecimento das redes de cidadania.


Os dados sobre a violência contra as mulheres no Brasil refletem a insuficiência das políticas públicas no combate a essa situação: a cada 15 segundos uma mulher é agredida; em Pernambuco, de janeiro a junho de 2006, cerca de 170 mulheres foram assassinadas; e no Distrito Federal em duas semanas 07 (sete) sete mulheres foram assassinadas, correspondendo 1 (uma) morte a cada 2 dias. [1]

Hoje, em mais de 10 estados brasileiros, o movimento de mulheres realiza a Vigília pelo Fim da Violência contra as Mulheres, comemora e discute a entrada da lei em vigor. Um dia histórico, pois a promulgação da Lei é resultado de uma luta de 30 anos para sensibilizar o Estado e a sociedade brasileira de que esse tipo de violência é uma violação de direitos humanos e sua prática deve ser combatida.


[1] Dado extraído da matéria ¿A Morte como Ela É ¿, de autoria de Ana Beatriz Magno , publicada no Correio Brasiliense de 23/07/06. Ainda segundo a reportagem ¿Todas as mortas tinham menos de 40 anos de idade e três já eram mães quando pararam de respirar. Somadas, deixaram cinco crianças órfãs. Nenhuma com mais de sete anos¿.

Fonte: www.cfemea.org.br


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Quarta-feira, Julho 12, 2006

Em ano de eleição é bom lembrar de coisas que só a política no Brasil explica. Essa matéria aí embaixo saiu no site www.congressoemfoco.com.br.



A bancada dos sem-votos
Dos atuais 81 senadores, 11 exercem o mandato sem ter recebido um voto sequer. Em alguns casos, a escolha chega a ser feita dentro de casa



Diego Moraes

Uma rápida visita à página do Senado na internet revela um dado, no mínimo, curioso: 11 dos 81 senadores assumiram o mandato sem terem recebido sequer um voto do eleitor. O bloco dos suplentes (veja a relação completa) ocupa hoje o mesmo número de cadeiras que o PT e só não é mais numeroso do que as bancadas do PMDB (21), do PFL (16) e do PSDB (16). Devido à eleição dos titulares ou à cassação do colega, cinco deles já se apoderaram definitivamente do cargo e dali só saem no último dia do mandato.

Voto, eles podem até não ter. Mas, na licença dos campeões das urnas, usufruem todas as prerrogativas que a Constituição reserva aos senadores da república, como direito a voto e a palavra no plenário e nas comissões, inclusive as CPIs, e de sugerir emendas ao orçamento da União. São beneficiados, inclusive, pelo foro privilegiado - direito de responder a processos apenas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Têm direito ainda a gabinete particular, automóvel com motorista, verba de gabinete e indenizatória (quantia paga pelo Congresso para financiar despesas do parlamentar no estado). Em resumo, estão aptos a representar seus estados como candidatos eleitos.

Como a Constituição não prevê eleição para a escolha de novos senadores em caso de renúncia ou de cassação dos titulares, nessas circunstâncias, o substituto assume até o fim do mandato.

Mas, ao contrário do que ocorre na Câmara, onde os substitutos dos deputados são definidos por ordem, conforme os votos que conquistaram na eleição, a suplência no Senado é definida por chapas, com nomes pré-definidos. Quando o titular renuncia, se licencia por questões de saúde ou para ocupar cargos de confiança, o suplente assume o mandato. Cada senador tem de dois a três suplentes. A maioria, é verdade, nem sequer chega a circular pelos corredores do Congresso.

O problema é que o eleitor geralmente não é informado sobre quem está mandando para Brasília na garupa de seu candidato. Tampouco conhece os critérios usados na definição da suplência. Mesmo porque os suplentes quase nunca aparecem no horário eleitoral gratuito do rádio e da TV e o processo de escolha desses reservas de luxo nem sempre é dos mais claros.

Herança de mandato

Alguns dos atuais suplentes assumiram o mandato em definitivo, como o tucano Flexa Ribeiro (PA), que vai ficar na Casa até 2011. Ele ocupa o lugar de Duciomar Costa (PTB), que renunciou ao cargo para ser prefeito de Belém. Destacado como um senador de perfil mais técnico, Rodolpho Tourinho (PFL-BA) está no Senado desde 2003, quando assumiu a cadeira até então ocupada por Paulo Souto (PFL-BA), governador baiano. Ex-ministro de Minas e Energia, Tourinho tomou gosto pelo cargo e é candidato à reeleição. Outro que também herdou a vaga do titular é Valmir Amaral (PTB-DF), no lugar de Luiz Estevão (PMDB-DF), eleito em 1998 e cassado em 2001.

Para chegar ao Salão Azul, nome do largo corredor que dá acesso ao plenário do Senado, os aspirantes à vaga de senador precisam demonstrar força nas urnas. O senador menos votado nas eleições de 2002 foi Augusto Botelho (PDT-RR), que conquistou 77.635 votos - marca quatro vezes maior que a do deputado mais bem votado no estado. Para os suplentes, não vale o crivo das urnas, mas eles não costumam ser escolhidos ao acaso pelos partidos. Alguns são empresários bem-sucedidos que colaboram com doações generosas à campanha do titular. Outros foram escalados unicamente para manter o mandato sob controle do partido ou do grupo político do senador em períodos de afastamento do parlamentar.

Senado tamanho família

A relação entre o titular e o suplente chega a ser, em alguns casos, umbilical. Não é raro encontrar senadores cujos suplentes sejam parentes de primeiro grau. O baiano Antonio Carlos Magalhães (PFL) é um desses. Chamou para sua chapa o filho Antonio Carlos Júnior, pai do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

Júnior ainda não teve a oportunidade de assumir um gabinete nesta legislatura. Porém, passou quase dois anos como senador a partir de maio de 2001, quando o pai renunciou após o episódio da violação do painel eletrônico da Casa.

Na época, o presidente da Casa era o hoje deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que figurava na lista dos que escalaram parentes para a suplência. Meses depois, ele também renunciou, acusado de desviar recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará). O primeiro na lista para assumir a vaga era seu pai, Laércio Barbalho.

Laércio, porém, enfrentava problemas de saúde e preferiu não tomar posse. O cargo sobrou para o segundo-suplente, Fernando Castro Ribeiro, acusado de envolvimento no desvio de recursos do Banpará. Ex-secretário de Jader, ele assumiu o mandato em outubro de 2001.

A escolha, em alguns casos, começa no conforto do lar. O piauiense Mão Santa (PMDB) indicou a própria mulher, Adalgisa Carvalho, para integrar sua chapa, eleita em 2002. "Adalgisinha", como é chamada carinhosamente pelo senador, ainda não teve oportunidade de substituir o marido. Já o tucano Eduardo Siqueira Campos (TO), eleito em 1998, convidou a irmã, Thelma Siqueira Campos, que assumiu mandato logo no início da legislatura, em fevereiro de 1999, até março de 2000.

Alguns senadores preferem colocar os filhos na reserva, caso precisem licenciar-se do mandato. É o caso de Alberto Silva (PMDB-PI), que definiu Marcos Tavares como primeiro-suplente, e de Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), que escolheu João Thomé Mestrinho, seu primogênito.

Outros convidam compadres políticos, como Maguito Vilela (PMDB-GO), cuja suplente é a também peemedebista Íris de Araújo, mulher do prefeito de Goiânia, o ex-ministro e ex-governador Íris Rezende. De 2003 até agora, a substituta já assumiu o mandato três vezes e passou quase um ano como senadora.

Senadora por acaso

Em algumas chapas, a escolha do suplente é remetida à casualidade. O caso mais curioso foi o de Regina Assumpção, ex-secretária do PTB de Minas Gerais. Contratada pelo partido apenas para colar selos em cartas, ela jamais sonhara sequer em ser vereadora. Acabou escalada como primeira-suplente de Arlindo Porto (PTB-MG) para a eleição de 1994. E assumiu mandato no Senado por quase dois anos.

A escolha dela não passou de um equívoco. Porto queria ser candidato ao governo do estado, mas na última hora optou pelo Senado. Como os prazos de inscrição já estavam quase esgotados, o nome de Regina foi parar provisoriamente na ficha de candidatura. No fim, o partido esqueceu de substitui-la.

Em abril de 1996, Porto foi nomeado ministro da Agricultura e a ex-secretária tomou posse no Senado. Pela falta de experiência, ela seguia apenas a recomendação dos líderes e, por isso, teve atuação discreta. Por sorte, Regina não deixou o cargo antes da volta do titular. O segundo-suplente era um subordinado dela na secretaria do PTB.

Suplentes que aparecem

O petista Sibá Machado (AC) também chegou ao Senado sem enfrentar as urnas. Está desde o início da legislatura no lugar de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente. O congressista tem passado de militância partidária e, ao contrário de Regina, não caiu de pára-quedas na política. Apesar disso, confessa que nunca havia pensado em chegar ao Senado. "Alguns pensavam: como o Sibá vai assumir um mandato em que a Marina era a marca? Assumi a missão com medo, mas determinado a fazer", diz o senador, que teve atuação destacada na CPI dos Correios.

Com o passar dos dias, alguns suplentes ganham espaço no Senado. Tanto que Wellington Salgado (PMDB-MG), suplente de Hélio Costa (PMDB-MG), atual ministro das Comunicações, preside a Comissão de Educação. Outros se destacam por atuações ousadas ou até mesmo por inusitados acontecimentos após o período em que ostentaram o posto de legisladores.

O hoje deputado Francisco Escórcio (PMDB-MA) fez barulho em sua breve passagem pelo Senado. Segundo-suplente do ex-senador Alexandre Costa, morto em 1998, o peemedebista assumiu o mandato por apenas quatro meses em 2002. O pouco tempo foi suficiente para que ele apresentasse o polêmico projeto que cria o estado do Planalto Central. A proposta prevê a desapropriação de parte do território de Goiás e a anexação de cidades-satélites do Distrito Federal e municípios do entorno para a criação de uma nova unidade da federação.

Outro suplente que também ganhou destaque nos jornais, mas nas páginas policiais, foi o empresário José Gonçalves Pereira, o Xico Pneus, suplente de Magno Malta (PL-ES). Ele foi preso durante a Operação Esfinge da Polícia Federal, em março deste ano, acusado de envolvimento com uma quadrilha que fraudava importações e sonegava impostos.

Por casos como esses, alguns suplentes dizem enfrentar certo preconceito de senadores eleitos. "Já me disseram para não falar disso, mas eu acho que tem preconceito sim. Acham que suplente é coisa de outro mundo, é caroneiro", lamenta Sibá Machado. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) discorda. "Quando eles chegam aqui, até esqueço quem é suplente. Vejo todos como senadores", afirma.

Enquanto esteve à frente do Ministério da Educação, em 2003, Cristovam fui substituído no Senado por Eurípedes Camargo, cujo perfil se diferenciava dos colegas eleitos. Negro e de origem pobre, Eurípedes foi serralheiro e presidente da Associação dos Incansáveis Moradores da Ceilândia, primeiro movimento de sem-teto do Distrito Federal, antes de assumir uma cadeira no imponente Senado.



ATUALIZADA EM:12/07/2006










postado por: Camilla Valadares

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Terça-feira, Abril 25, 2006

Saca só a notícia que saiu no NoMínimo...é incrível como nosso País ainda ganha dinheiro com a escravidão. Nada contra a arte, desde que os artistas tenham seus direitos reconhecidos e sejam remunerados quando há lucro nas peças etc



O teatro da escravidão


Mariana Filgueiras do site NoMinimo

23.04.2006 | Vestida com roupas típicas do senhorio do século XIX ¿ babados, rendas, camafeu e saia rodada ¿ a 'sinhá' Luizinha apresenta a fazenda São João da Prosperidade, em Barra do Piraí, no interior do estado do Rio de Janeiro, a um grupo de 30 visitantes. Circula pelos corredores da casa grande, mostra os 15 aposentos, a capela folheada a ouro, conta a história dos objetos vindos da Europa, explica o sentido das alcovas: cômodos sem janela trancados por fora para abrigar caixeiros viajantes. Da janela, aponta a senzala: "Tenho 300 escravos" orgulha-se, voz impostada e dedo em riste.

De repente, entra correndo pela varanda uma negrinha com remendos de algodão e cabelos presos em tranças. A menina, de apenas seis anos, se agarra à barra da saia da sinhá, põe o dedo polegar na boca e fixa os olhos nos visitantes. Basta um gesto da sinhazinha para que a pequena escrava abaixe a cabeça e saia da sala. "Não vê que estou com visitas?" - esbraveja a senhora. A menina vai brincar no alambique. Pouco depois, uma mucama adentra o salão, sob ordens de servir café aos convidados.

A representação de sinhá é feita pela proprietária da fazenda e não menos nobre Magid Breves Muniz ¿ integrante da quinta geração da família do Comandante Breves, o ¿rei do café¿ no século XIX. A mucama e a pequena escrava são interpretadas pela empregada doméstica da fazenda, Rosilda Januário, e a filha, Daiane Januário. Apesar da simpática intenção de levar os turistas a uma viagem no tempo, por meio da encenação de hábitos típicos da relação entre fazendeiros e escravos, a prática gera polêmica. Autoridades, turistas e historiadores dividem opiniões sobre a inserção de empregados e crianças no cenário da escravidão.

Do time dos que são contra, o prefeito de Vassouras, Altair Paulino de Oliveira Campos, é o mais contundente. Administrador da cidade com o maior número de sedes históricas na região, Altair analisa a possibilidade de proibir a representação como atrativo: "Não concordo com essa coisa de vestir crianças e empregados de escravos, que pode causar desconforto e acabar prejudicando o turismo. A intenção é boa, mas o resultado pode ser ruim" - disse ele, durante evento realizado há três semanas em Vassouras para lançar o projeto "Café, Cachaça e Chorinho" de fomento ao turismo na região.

História viva

A proprietária da fazenda admite que os funcionários não recebem dinheiro extra pela atuação, apesar da visita, com direito a lanche, custar R$ 18 por turista. O dinheiro, segundo ela, é usado para a conservação do patrimônio, pois a sede ainda está em fase de análise para tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Como moram e trabalham na propriedade, os empregados participam da encenação como parte de seus afazeres rotineiros.

Se o grupo de turistas for muito grande, Magid paga cachê a duas empregadas de uma fazenda vizinha para reforçarem a encenação. As crianças, de acordo com ela, encaram como uma brincadeira "depois da aula". Explica Magid: "Recebi um grupo de franceses na semana passada e a Daiane me pediu para fazer uma saia nova, que a dela já estava muito velha. Ela adora brincar de escrava. E todos sabem que é de mentirinha".

A empregada Rosilda Januário, conhecida como Beth, não se importa em viver uma mucama, nem de expor a filha aos turistas. Pelo contrário. Beth diz que adora representar. "Os turistas pedem para tirar fotos, eu me sinto importante", diz, tímida, a cabeça ainda baixa e voz sussurrante.

A Secretária de Turismo de Piraí, Sheila Valle Souza, surpreende-se ao saber que crianças têm sido usadas na recepção aos turistas, mas acredita que seja bom para os pequenos, "que aprendem desde cedo a representar com orgulho a história negra", e garante que os funcionários ¿ faxineiras, jardineiros e cozinheiras, na maioria das vezes ¿ tiveram orientação histórica para entender o papel que representam. "As encenações mantêm a história viva", reforça a secretária.

Entre os turistas, alguns se mostram encantados com os detalhes do cenário antigo e espocam flashes diante dos escravos e sinhás. "Achei bem legal, eles ajudam a criar o clima especial de retorno ao passado durante a visitação. Não teria a mesma graça se eles estivessem com roupas normais. Quando você compra o passeio, quer o pacote completo" diz o estudante de direito Rafael Barbosa, 23 anos, participante de um grupo que, há poucos dias, fazia o circuito de fazendas históricas.

Outros, no entanto, não sabem como reagir diante da interação realista dos 'escravos', que circulam vestidos em pobre algodão e, não raro, se curvam para obedecer às ordens da sinhazinha. "Será que esta criança tem idéia do que está fazendo? Ela ainda não tem idade para entender e pode ficar com a idéia de que deve se comportar como escrava, de que isso é normal" - indigna-se uma visitante paulistana, depois de recusar um copo d'água servido pela 'mucama'.


Em todo o mundo

Não longe dali, no município de Vassouras, a recepção na Fazenda Cachoeira Grande confunde ainda mais os visitantes: lá, apenas os empregados estão vestidos como personagens. Os proprietários recebem os turistas com linguajar e trajes contemporâneos, mas apresentam os 'escravos' como se estivessem nos idos de 1800: " Eles circulam da cozinha para fora, onde o piso é de peroba rosa. Onde o chão é de jacarandá, nenhum deles põe os pés " assegura a dona da fazenda, Núbia, uma senhora loura elegante, com ares de aristocrata, que prefere ser chamada apenas pelo primeiro nome.

Não há encenação, mas o lanche é servido por duas empregadas vestidas como mucamas. Martha e Márcia Santos, as 'mucamas', são mãe e filha, nascidas e criadas na fazenda, e tampouco se importam com o tratamento da patroa. "A gente sabe que ela fala assim só quando tem turista aqui, para parecer que somos escravas", conta Martha, à frente da cozinha construída em 1820.

A polêmica não fica só entre os visitantes, e se estende aos especialistas: o historiador Milton Teixeira trabalha há 15 anos acompanhando grupos de turistas nas fazendas do ciclo do café e não concorda com a proposta do prefeito de Vassouras de proibição da prática. "Não é degradante representar um escravo. Se o turista se sente incomodado, muito bem. O passado de escravidão tem de incomodar bastante, e não deve ser esquecido", afirma.

Milton lembra a vez em que presenciou uma turista francesa chamar uma das 'escravas' no canto e lhe perguntar por que, naquela fazenda, nenhum deles fazia nada para acabar com a escravidão. "Ela não entendeu que era uma representação", recorda o historiador. Milton cita ainda que já presenciou até simulações de leilão de escravos, em que os turistas dão os lances. "Ora, representações são feitas em toda parte do mundo. Na Europa, tem famílias pré-históricas; nos Estados Unidos, há simulação das batalhas da Guerra de Secessão, e, aqui no Brasil, é natural que haja uma encenação com escravos. Muito pior seria querer mostrar que não houve escravidão."

Autor do livro "Tráfico, cativeiro e liberdade", sobre o período de escravidão no Brasil, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Manolo Florentino, critica: "O problema é que a encenação transmite ao turista uma visão parcial do período escravocrata. Não existiu apenas a submissão, isto tudo fez parte de um processo. E os revoltosos? Os zumbis? A venda de uma história nacional passiva é, senão curiosa, preocupante."



postado por: Camilla Valadares

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Terça-feira, Novembro 08, 2005

Empresa é proibida de vender terrenos na Lua



PEQUIM - A Administração de Indústria e Comércio de Pequim retirou da empresa norte-americana "Lunar Embassy" sua licença para vender terrenos da Lua aos cidadãos chineses, depois que a oferta foi anunciada há duas semanas, informou ontem a imprensa oficial. A empresa chinesa associada à "Lunar Embassy" deteve suas operações, acusada de especulação, violação de normas estatais e até mesmo alteração da ordem social e econômica, segundo uma nota do Governo do distrito de Chaoyang citada pela agência oficial Xinhua.


Fonte: Tribuna da Imprensa // http://www.tribuna.inf.br/noticia.asp?noticia=ciencia04
e http://www.painelbrasil.tv/clipping/diario.htm


Na verdade a notícia veio da Agência EFE


Empresa é proibida de vender terrenos na Lua
PEQUIM - A Administração de Indústria e Comércio de Pequim retirou da empresa norte-americana "Lunar Embassy" sua licença para vender terrenos da Lua aos cidadãos chineses, depois que a oferta foi anunciada há duas semanas, informou ontem a imprensa oficial.

A empresa chinesa associada à "Lunar Embassy" deteve suas operações, acusada de especulação, violação de normas estatais e até mesmo alteração da ordem social e econômica, segundo uma nota do Governo do distrito de Chaoyang citada pela agência oficial Xinhua.

A firma norte-americana, aproveitando a euforia que as viagens de astronautas chineses despertaram no país asiático, lançou em setembro seu negócio na China. Este foi apresentado em entrevista coletiva no mês seguinte pelo homem que fundou a companhia em 1980, Dennis Hope.

Segundo a empresa, um cidadão chinês pode comprar um acre da Lua (0,405 hectare) por US$ 37, o que outorga ao proprietário o direito de usar os minerais que houver da superfície até três quilômetros baixo dela.

A empresa assegurou que a venda tem base legal, já que o Tratado da ONU sobre o Espaço Exterior, assinado em 1967, estabelece que os Governos da Terra não podem reivindicar propriedade alguma sobre pedaços da Lua, mas não diz nada sobre empresas ou indivíduos.

A empresa já ofereceu terras em EUA, Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e Japão. "Isso é ridículo, a Lua pertence a toda a humanidade, portanto uma companhia não pode vendê-la", disse um cidadão chinês citado ontem pela Xinhua. (EFE)




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Terça-feira, Setembro 20, 2005

Publicidade e Questões Sociais


Hoje, ao ver uma propaganda (VT) sobre os cães guia que agora podem acompanhar seus donos (pessoas cegas) em todos os lugares me dei conta de uma coisa óbvia que está acontecendo na nossa sociedade: a maioria d@s publicitári@s não têm preparo para desenvolver campanhas na área social.


Foram desenvolvidas aptidões para vender sabão, carro, marcas, estilos de vida, mas para dizer às pessoas que os atuais preconceitos, discriminações e demais condutas que provocam desigualdade não existe o mesmo preparo.


Não que essas pessoas não sejam criativas, boas e libertas de muitos preconceitos etc. Mas realmente não foi feita a reflexão que existe hoje no movimento social (ongs, movimentos, academia etc).


Se de um lado esses movimentos encontram dificuldades de dialogar com toda sociedade, ponto no qual está o desafio d@s comunicador@s em levar com uma linguagem acessível os temas e debates sociais necessários para a construção da cidadania, democracia plenas, bem como a justiça social. Por outro lado apresentam resistência em lidar com as metodologias e lógicas hoje muito eficientes da comunicação, marketing, publicidade etc


Com a eleição do atual governo, vimos no âmbito do jornalismo uma correria grande atrás de profissionais que soubessem cobrir temas sociais. Historicamente os grandes jornalistas sempre foram os políticos e econômicos, mas sempre vistos como algo distante das questões sociais. Pela primeira vez esses temas estariam todo juntos, agendas sociais seriam assumidas, secretarias pelos direitos humanos (com status de ministério) seriam criadas. Alguém capacitado para entender direitos humanos deveria estar lá para a cobertura jornalística.


[Está complicado escrever isso com a barulheira ao meu redor...]


O que vejo hoje com a publicidade não é exatamente a mesma correria. Acredito que o desafio e compromisso da publicidade com as causas sociais está colocada para esses profissionais há muito tempo. Desde o Toscani, da Benetton, desde antes.

Acho estranhas campanhas ou peças que, como a da mulher cega e seu cão guia, faz uma fusão entre o rosto da moça e do cachorro, o problema não é nem conceitual. Claramente é de mau gosto.

Em outro ponto temos as abordagens do racismo, como se simplesmente pelo fato de termos uma pessoa negra em nossa equipe a empresa de uma hora para a outra terá milhões a mais de lucro. Estamos falando de igualdade, de diversidade. Não é claro que se metade (mais da metade) da nossa população é negra e nas empresas e boas vagas de emprego temos só branc@s, então @s negr@s ou estão nos sub empregos ou desempregad@s?


Bom, essa é só uma reflexão que surgiu agora, precisa ainda ser digerida como outras.

Se alguém quiser opinar, será ótimo!


postado por: Camilla Valadares

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Sexta-feira, Setembro 16, 2005

Abaixo está uma entrevista enviada pelo pessoal da CERIS e do IBASE, sobre o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor)

Ano I - Nº 3 - set/2005

"Há uma maior consciência da responsabilidade envolvida no próprio ato de consumir e a transparência das empresas passa a ser mais valorizada, tornando-se a principal ferramenta para o consumo consciente e cidadão."

"Todos têm seu papel na construção de um mundo mais justo e igualitário, inclusive as empresas e os cidadãos."

Lisa Gunn

O consumidor é um dos principais atores do movimento da responsabilidade social empresarial, mas tem pouco conhecimento sobre seus direitos. A socióloga Lisa Gunn e a advogada Daniela Trettel, ambas funcionárias do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), compartilham dessa opinião. Nessa entrevista, elas explicam como o consumo consciente e a defesa dos direitos do consumidor e da cidadania podem melhorar o comportamento das empresas. Você pode obter mais informações do IDEC acessando http://www.idec.org.br.


CERIS: o que é o IDEC?

IDEC: A sigla IDEC significa Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Este instituto foi criado em 1987 pelo movimento de defesa dos direitos dos consumidores brasileiros com o objetivo de ter seu próprio instituto. Além de defender os interesses e os direitos dos consumidores associados, o IDEC é uma organização independente que discute questões de interesse dos consumidores em geral, como por exemplo, a inclusão social e políticas públicas. A condução do instituto é feita pelos próprios associados. Para se ter uma idéia, Marilena Lazzarini, é uma das pessoas que está no movimento de consumidores desde a fundação do IDEC e, atualmente, é sua coordenadora.

O IDEC mantém articulação com os consumidores organizados de diversos paises e está associado ao movimento internacional de consumidores.



CERIS: Quais as linhas de atuação do IDEC?

IDEC: São três: a primeira, voltada diretamente para o associado, visa contribuir para que tenham acesso a bens e serviços essenciais, ampliem a compreensão de seus direitos como consumidor e sejam mais ativos no movimento. A segunda é voltada para intervenção em políticas públicas, acompanhando a evolução das leis e das regras que podem afetar a vida do consumidor, dando publicidade a elas e orientando os consumidores tanto sobre o que lhes afeta quanto o que fazer para garantir seus direitos. A terceira linha de atuação está voltada para público em geral, na perspectiva da ampliação do consumo responsável e do número de consumidores ativos na luta por seus direitos. Esta se dá através de ações educativas nas escolas, de mobilização e de campanhas de conscientização.



CERIS: Como o IDEC é mantido?

IDEC: O IDEC é mantido basicamente por seus associados, que pagam anuidades. Isso não quer dizer que só trabalhe com recursos próprios. Várias ações são realizadas em parceria, ora com órgãos públicos, ora com agências de cooperação internacional, ora com outros parceiros da própria sociedade civil.



CERIS: Como o IDEC se estrutura e organiza?

IDEC: O IDEC tem cerca de 50 colaboradores das mais diversas formações técnicas; tem sociólogos, jornalistas, advogados, filósofos, veterinários etc. Alguns deles atuam voluntariamente nos Conselhos Diretor, Fiscal e Consultivo; os outros são contratados e atuam nas duas coordenações do IDEC (Executiva e Institucional), nas cinco gerências e na execução direta do trabalho.


CERIS: Qual a importância de o consumidor se associar ao IDEC?

IDEC: O consumidor que se associa ao IDEC participa de ações judiciais e tem orientações sobre seus problemas específicos e particulares, de modo personalizado. Além dos benefícios individuais, ele estará contribuindo para a mudança da postura das empresas, do governo e do próprio consumidor. Isso se dá através da luta do IDEC para que elas respeitem os direitos dos consumidores, para que o governo faça seu papel de fiscalização e controle e, ainda, que os consumidores assumam um papel mais ativo na defesa de seus direitos.


CERIS: Qual é a relação do IDEC com o Governo?

IDEC: Nossa atuação é independente do Governo. Em alguns casos nos alinhamos e em outros nos contrapomos. Se por um lado não apoiamos o fato do Governo brasileiro liberalizar o plantio e comercialização de soja transgênica sem que os devidos estudos de impacto à saúde e ao meio ambiente fossem realizados, por outro realizamos projetos em conjunto com os Ministérios do Meio Ambiente e da Educação sobre consumo sustentável. Realizamos parceria com o Ministério Público, apoiando-o em ações judiciais consideradas estratégias para o IDEC.


CERIS: O IDEC tem algum exemplo da parceria com o Ministério Público?

IDEC: O IDEC ajuizou recentemente ações conjuntas com o Ministério Público Federal de São Paulo sobre a publicidade abusiva da empresa Monsanto e sobre a utilização de antimicrobianos carcinogênicos no trato de animais para consumo humano. Em relação ao Ministério Público Estadual de São Paulo, adotamos estratégia conjunta no aumento de planos de saúde, propondo ações contra algumas operadoras.


Daniela Trettel

CERIS: Que entidades têm parceria com o IDEC?

IDEC: São diversas. Participamos da FNECDEC (Frente Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor), que fortalece as atividades das associações de defesa do consumidor. Nos temas de comércio internacional, nos articulamos com a REBRIP (Rede Brasileira para Integração dos Povos) e somos membros da FNSA (Frente Nacional de Saneamento Ambiental), além de participarmos de várias outras entidades e redes. Para a promoção de RSE (Responsabilidade Social Empresarial) fazemos parte de uma rede de ONGs de 30 entidades de sete países diferentes (Red Puentes). Constituem a Red Puentes Brasil o IBASE, o CERIS e Instituto Observatório Social e o próprio IDEC.


CERIS: Por que trabalhar junto com outras entidades que defendem os direitos dos consumidores no Brasil e na América Latina?

IDEC: Para fortalecer a luta pelo respeito aos direitos dos consumidores e gerar um debate amplo sobre esses temas. Essas parcerias garantem a atuação incisiva de organizações que, sozinhas, não seriam escutadas.


CERIS: A coordenadora institucional do IDEC foi eleita a presidente da Consumers International. Como essa entidade funciona?

IDEC: A CI (Consumers Internacional) é uma federação de organizações de consumidores, sem fins lucrativos, fundada em 1960, para proteger e promover mundialmente os interesses dos consumidores, principalmente aqueles que estão em países mais pobres e vulneráveis. O que resulta em um maior afinamento entre as atividades das 250 organizações em 115 países, levando os problemas que afetam os indivíduos para além das barreiras nacionais. A Direção Geral da CI localiza-se em Londres e as três oficinas regionais ficam em Santiago, Chile (América Latina e Caribe); Kuala Lumpur, Malásia (Ásia e Pacífico) e Harare, no Zimbábue (África). A CI exerce o papel de representação dos consumidores em diversos órgãos internacionais e regionais, fazendo o trabalho que dificilmente uma organização local conseguiria fazer.


CERIS: É possível identificar uma mudança do consumidor, em relação às empresas?

IDEC: Sim, a atitude dos consumidores está mudando. Eles têm percebido a estreita relação entre seus hábitos de consumo e os graves problemas ambientais e sociais que afetam o mundo todo. Há uma maior consciência da responsabilidade envolvida no próprio ato de consumir e a transparência das empresas passa a ser mais valorizada, tornando-se a principal ferramenta para o consumo consciente e cidadão. Isso ocorre num momento em que os impactos da globalização da economia tornam-se mais evidentes. Nas últimas décadas, as grandes corporações se expandiram pelo globo, em muitos casos, buscando países com legislação mais tolerante em relação a questões trabalhistas e ambientais.


CERIS: O IDEC já esteve envolvido com campanhas de boicote?

IDEC: Já estivemos envolvidos em várias delas. As mais recentes foram o "Boicote da Paz" e o "Caladão". A primeira, em protesto contra a política de guerra adotada pelo governo Bush, ocorreu em 2003 e mobilizou consumidores para que não comprassem produtos fabricados por empresas norte-americanas. A segunda, em 2004, foi para protestar contra os aumentos abusivos das tarifas de telefonia, onde os consumidores foram orientados a deixarem seus telefones fora do gancho todas as quintas-feiras, das 12h às 13h.


CERIS: Como os consumidores prejudicados agiam antes da criação do CDC (Código de Defesa do Consumidor), em 1990?

IDEC: Antes da promulgação do CDC os consumidores podiam recorrer às disposições do Código Civil, sobre contratos e ressarcimento de prejuízos para reivindicar seus direitos, pois elas também se aplicavam às relações de consumo. Era mais difícil recorrer ao Poder Judiciário porque não existiam os mecanismos de equilíbrio das relações de consumo consagrados no CDC e nem os Juizados Especiais, para causas de baixo valor. Já existia o Procon, que recebia as reclamações dos consumidores e fazia intermediação com as empresas. Também já existia a Lei de Ações Civis Públicas (Lei 7.347/85), que permite a propositura de ações coletivas por entidades como o IDEC.


CERIS: Quais são os maiores abusos cometidos por empresas que desrespeitam o CDC?

IDEC: Os setores mais reclamados são: plano de saúde, telefonia e bancos e envolvem aumentos abusivos e descumprimento de contratos, cobranças abusivas, altos juros e tarifas, roubos e furtos em caixas eletrônicos, envio de cartões de crédito sem solicitação e tantas outras.

Os consumidores têm dificuldades em ter seus direitos respeitados quando se trata de planos de saúde, em especial com relação a seus aumentos. A própria ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), reguladora do setor, desconsidera os consumidores e seus direitos. O IDEC tem várias ações judiciais em tramitação.

Em telefonia, através de ações civis públicas conseguimos barrar alguns aumentos, mas esse é um setor sensível porque não há concorrência, principalmente na telefonia fixa. A Anatel, agência reguladora do setor, por vezes é omissa ou tendenciosa, em favor das empresas.

O IDEC tem, também, ações contra bancos para recuperar perdas de rendimento em poupanças decorrentes dos planos econômicos Verão (1989) e Collor (1990). Já recuperamos mais de 15 milhões de nossos associados e as ações em trâmite somam mais de 100 milhões.


CERIS: Sabemos dos constrangimentos que os consumidores são submetidos pelos bancos. Você conhece algum caso de consumidor que tenha sido marcante?

IDEC: Uma história marcante foi a de um consumidor que foi discriminado ao tentar trocar um cheque em um banco. Ele recebeu um cheque de seu tio e foi ao banco para sacá-lo, mas o caixa negou-se a pagá-lo alegando que a assinatura não conferia. O consumidor percebeu que, na verdade, havia sido vítima de preconceito, pois vestia suas roupas de trabalho, sujas de graxa. Ligou para seu tio, que emitiu outro cheque e voltou à mesma agência. O tio o acompanhou e ficou ao seu lado no caixa, esperando para ver se o cheque era pago. Mais uma vez houve a negativa, mesmo acompanhado do correntista que assinou o cheque e que estava ao seu lado. Finalmente, depois de 2 horas, o cheque foi pago. O consumidor sentiu-se envergonhado com a situação, mas disse ao gerente do banco que tinha sido bem atendido e voltaria.

E voltou, 6 meses depois, junto de um amigo, para fazer um depósito de mais de 4 mil reais, em moedas, embaladas em caixas de uvas. Depois de esperar por 3 horas e meia ele foi informado de que não poderia fazer o depósito, de acordo com uma resolução do Banco Central que limitava o depósito em moedas a 191 reais. Um mês depois esse consumidor voltou à mesma agência para depositar 2.600 reais em moedas e, para respeitar a lei, levou consigo 34 amigos, que portavam as moedas em saquinhos de plásticos, todos cheios de moedas e que somavam quantia inferior a 191 reais. Os funcionários da agência levaram 2 horas para contar todas as moedas.

O caso chamou a atenção por ter sido uma forma criativa do consumidor de "retribuir" a forma como foi tratado. Ele conseguiu provocar o caos na agência, e provavelmente as pessoas souberam o motivo. Os funcionários daquele banco passaram a pensar duas vezes antes de discriminar outra pessoa.


CERIS: Como o consumidor deve agir quando tiver problemas com a prestação de serviços ou aquisição de produtos?

IDEC: Em primeiro lugar ele deve tentar uma solução amigável com a empresa, pedindo que seja dada uma solução para o seu problema. O IDEC sempre orienta para que a reclamação seja feita formalmente para o fornecedor, por escrito. O consumidor deve enviar carta com aviso de recebimento ou pedir o número de protocolo do registro de reclamação. Assim ele comprovará que notificou o fornecedor e que se interrompeu o decurso do prazo para reclamar.

Caso a empresa não solucione o problema, o consumidor deve procurar o Procon. Se ainda assim o problema não for resolvido, deve-se procurar a Justiça. O Juizado Especial Cível deve ser consultado para causas de valor até 40 salários. Para causas com valor de até 20 salários mínimos, não é preciso ter advogado. Além dessas orientações, faz parte da atuação do IDEC recomendar que escolha contratar empresas reconhecidas por práticas responsáveis e éticas.


CERIS: O IDEC já divulgou lista de setores que mais têm reclamação de consumidores. Qual o impacto dessa ação?

IDEC: Quando fazemos testes de qualidade e segurança de produtos e serviços e divulgamos os resultados com os respectivos nomes das empresas. Algumas nos processam (e todas, até hoje, tiveram seus pedidos julgados improcedentes), outras tentam desacreditar o teste e outras acatam as recomendações, fazendo as mudanças necessárias em seus produtos e serviços. Um bom exemplo foi um teste realizado com camisinhas. O IDEC descobriu e denunciou que a maioria não era segura, o que obrigou a alteração das normas de sua fabricação. Hoje, as camisinhas podem ser consideradas seguras.


CERIS: O IDEC tem participado das discussões sobre a norma ISO de RSE. Em que termos elas estão e quais as implicações disso sobre a sociedade?

IDEC: Por enquanto houve apenas uma reunião. O IDEC apóia a iniciativa da ISO (International Organization for Standardization) de elaborar diretrizes em responsabilidade social, pois elas podem ser mais transparentes que os códigos de conduta elaborados pelas próprias empresas.


CERIS: O IDEC realizou pesquisa em RSE. Quais os resultados dela?

IDEC: O IDEC concluiu que o trabalho em RSE é muito mais produtivo quando a empresa se dispõe a colaborar, inclusive na discussão para resolução de conflitos. Por exemplo, só a Unilever respondeu nosso questionário. Quando fomos até ela para apresentar os resultados da pesquisa, ela estava aberta a receber as recomendações finais. Com as empresas pesquisadas Nestlé, Novartis, Bunge, Sadia, Vigor e Pepsico nem conseguimos estabelecer diálogo.

Paralelamente a essa pesquisa foi realizado, com apoio da Consumentenbond, um teste da quantidade de gordura trans nas margarinas e cremes vegetais das marcas envolvidas na pesquisa de RSE. Constatou-se que a Unilever, empresa que abriu diálogo com o IDEC no Brasil, colocava em nosso mercado margarinas com gorduras trans extremamente maléficas para a saúde, enquanto que na Europa esse tipo de gordura não era usada. A Consumentenbond questionou a matriz da Unilever, localizada na Holanda, sobre a responsabilidade social da empresa e o duplo padrão de produção. Logo em seguida, a Unilever do Brasil anunciou que as suas margarinas deixariam de ter gorduras trans. Em uma reação em cadeia, a Sadia, pouco tempo depois, anunciou que faria o mesmo com a margarina que produz. Apesar de não ter sido divulgado como um resultado da ação do IDEC junto com a Consumentenbond, esse caso é exemplar do que pode ser alcançado com o trabalho conjunto.

CERIS: O que é responsabilidade social empresarial?

IDEC: Para o IDEC, uma empresa socialmente responsável é aquela que respeita os direitos fundamentais para a vida, as relações sociais e o equilíbrio ambiental. Esses direitos estão contemplados em diversos acordos, tratados e diretrizes, que se tornaram marcos referenciais para toda a sociedade. Obedecê-los faz parte das obrigações e responsabilidades das empresas, seja qual for o seu porte ou área de atuação.

Entendemos que o debate da RSE deve avançar para além das ações filantrópicas para tratar daquilo que realmente importa, que é o comportamento das empresas na sua atividade, abrindo espaço para a participação de sindicatos e outros representantes da sociedade.

CERIS: Quais são as expectativas sobre as novas formas de relações entre empresas - trabalhadores - consumidores - cidadãos - meio ambiente?

IDEC: A idéia de que todos são co-responsáveis na preservação da natureza e da dignidade humana deveria se expandir. Todos têm seu papel na construção de um mundo mais justo e igualitário, inclusive as empresas e os cidadãos, que têm que pressionar e mostrar seus anseios não só no voto, mas também em todas as suas ações diárias, inclusive as que envolvem consumo.



CERIS: Na visão do IDEC, o que é consumo consciente?

IDEC: O consumidor deve considerar se realmente tem necessidade daquilo, se não está comprando apenas por mero consumismo. Refletir sobre a forma como descartará o produto que não lhe serve mais ou os seus restos também é ato de consumo consciente. Ou seja, o consumo consciente deve ser entendido como ética no ato de consumir. Quando se escolhe um produto ou serviço não é só escolher um fornecedor que seja socialmente responsável e que tenha um processo produtivo sustentável, mas também refletir sobre o ato de consumir determinado produto ou serviço.



CERIS: Os brasileiros de modo geral não têm o hábito de recorrer a órgãos de proteção e defesa do consumidor quando são prejudicados. O que poderia ser feito para mudar essa situação?

IDEC: É preciso divulgar informações sobre os direitos dos consumidores, dar orientações sobre como exercê-los, implantar órgãos de defesa do consumidor em mais cidades, criar outras entidades civis de defesa do consumidor e cuidar para que os Juizados Especiais Cíveis, que têm facilitado a resolução de conflitos de baixa complexidade, não se tornem lentos e burocráticos.

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EXPEDIENTE

CERIS

Equipe de Comunicação e Pesquisa em R.S.E.

Jornalista Responsável: Isaias Bezerra de Araújo (JP-25546RJ)

Coordenação: Tânia Hernandes

Comunicação e Pesquisa: Clarissa Ramos e Joana Vieira

Apoio Técnico: Ricardo Araújo

CERIS

http://www.ceris.org.br - ceris@ceris.org.br

IBASE

http://www.ibase.br - ibase@ibase.br

Red Puentes Brasil

brasil@redpuentes.org

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CERIS©2004 Todos os direitos reservados
Informações e comentários: CERIS - Núcleo de Responsabilidade Social Empresarial


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Quarta-feira, Julho 20, 2005

Para ler, ouvir e pensar:
(a propósito, não sei de quem é)
"Meu sapato já furou, minha roupa já rasgou, eu não tenho onde morar,
Eu não sem nem mais sorrir, meu amor me abandonou sem motivo e sem razão,
E pra melhorar a situação eu fiz promessa pra São Luiz Durão!
Meu sapato já furou....."

ahhhhh achei!!

Meu Sapato Já Furou
Clara Nunes
Composição: Elton Medeiros/Mauro Duarte

Meu sapato já furou
Minha roupa já rasgou
E eu não tenho onde morar
Meu dinheiro acabou
Eu não sei pra onde vou
Como é que eu vou ficar?
Eu não sei nem mais sorrir
Meu amor me abandonou
Sem motivo e sem razão
E pra melhorar minha situação
Eu fiz promessa pra São Luís Durão

Quem me vê assim pode até pensar
Que eu cheguei ao fim
Mas quando a minha vida melhorar
Eu vou zombar de quem sorriu de mim

Meu sapato já furou...




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Quarta-feira, Junho 22, 2005

Racismo

Pensando em racismo, outro dia eu estava atravessando a rua e uma van passou, de dentro dela um cara gritou: ¿ê branquela¿. Eu me senti tão constrangida, que mais uma vez tive vergonha de ser tão branca. Fora que todo mundo olhou para mim e daí rola aquela vontade de eu mesma me abraçar e cobrir meus braços e pescoço brancos....Enfim. Claro que não comparo isso ao racismo histórico contra os negros, mas não deixa de ser um tipo de reação pela minha cor. Não posso classificar como pejorativa ou algo assim, mas me senti muito mal.

Se pensarmos nos padrões estéticos de beleza hoje vigentes, acho que não estou também perfeitamente enquadrada. Não sou a morena gostosa de biquíni na praia. Não sou aquela bronzeada com marquinha de biquíni. Aliás quando tentava me bronzear só conseguia virar um camarão, arder e ganhar marquinhas (pintinhas) pelo corpo, uma beleza! O lance é que a indústria do bronzeamento já foi mais forte, mas ainda está presente, tanto que existem produtos que ajudam a bronzear sem Sol! Caraca!!! Ainda acham mais bonito ter essa cor do bronze do que ser uma ¿branquela leite azedo¿.

Agora falando do racismo contra @s negr@s existem milhões de pontos mais complicados para levantar....Aquela história do jogador Grafite e do argentino. Tem gente que acha que o cara foi pego como bode expiatório ou cristo, para sofrer todo o racismo existente. Ok, ele não pode pagar por todos, mas é responsável pelos seus atos. Não é porque todo mundo é racista que quando se fala de alguém que age assim deva ser justificado.

Entra também toda a questão da mídia. Porque como saiu lá então ¿o racista foi efetivamente punido¿. Como se no dia a dia não pudéssemos abrir a boca e reivindicar nosso direito de ser respeitado independente de cor, credo, etc. Acho importante a mídia falar disso, porque que já deu pra perceber que ela ajuda a pautar a sociedade, muita coisa não é discutida por aí, mas se sair no Jornal Nacional vira conversa de jantar em família, almoço de domingo, bar etc

Sábado eu estava em um bar na Vila Madalena (São Paulo) e aconteceu uma coisa que me fez pensar em um milhão de outras (como sempre, aliás, começo a achar que isso é um problema). Enquanto eu passava meu cartão, um garçom pediu a conta para a moça do caixa. Ela brincou com ele dizendo que não ia dar e ele falou que ia processá-la. Eu não entendi nada, em seguida ela comentou: é agora não pode nem falar que é preto. E ele falou que na verdade não compensava processar porque não ganharia nada. Perguntei pra ele se só processaria se valesse dinheiro e ele disse ¿Claro! Mas isso não acontece!¿

Agora, indo para a discussão de liberdade de crença e pensando também no racismo: na terça passada (14), eu estava em Recife participando de uma discussão muito legal sobre Comunicação e Política Institucional. As facilitadoras da oficina nos colocaram textos para reflexão sobre essas questões de comunicação e os valores defendidos pelas organizações (as não governamentais, direitos humanos etc).

Um dos textos era um artigo que criticava a punição do jogador argentino frente ao silêncio diante de outras atitudes racistas (na opinião do autor). Atitudes como a de um grupo ambientalista que entrou com uma ação (se não me engano é esse o termo) contra o sacrifício de animais realizado em cerimônias de religiões de origem afrodescente. Eu não sei ao certo qual faz isso, se é o Candomblé ou a Umbanda, mas o fato é que, segundo o autor, essa ação se caracterizava como racista por essas religiões terem negr@s como maioria entre seus praticantes.

Algumas pessoas no grupo disseram que eram totalmente contra matar animais, já outros falaram de como aquela ação focava especificamente a população negra. Outro ponto levantado pelo autor era: por que essas organizações entraram com ação contra esses sacrifícios, mas não contra os matadouros de animais (frigoríficos etc)?

Bom, isso aí dá pano pra manga...Eu vejo um racismo aí...Sei que nesse nosso País, como já mostrou uma pesquisa feita para a campanha dos Diálogos contra o Racismo, todos nós sabemos que existe racismo, mas não nos reconhecemos como racistas. (www.dialogoscontraoracismo.org.br).

No que se refere às mulheres (sim estou novamente falando de nós, mulheres) existe um diferencial. De novo a questão histórica entra aí. Vejamos, a mulher negra na época da escravidão tinha o papel de cuidar das coisas dentro de casa e hoje a maioria das trabalhadoras domésticas são negras...Hmm vejamos mais, elas dentro de casa na época da escravidão também ¿serviam¿ sexualmente aos seus ¿amos¿, digamos que fizesse parte do pacote, que coisa, hoje muitas jovens mulheres que trabalham nas casas de terceiros (é, a empregada doméstica mesmo) iniciam sexualmente os jovens que moram na casa, filhos de seus patrões e não por vontade delas, na maioria das vezes.

Toda essa questão da sexualidade provocou outras marcas que vemos atualmente. São tão ¿formosas¿ e ¿sexys¿ que o corpo da mulher negra se tornou hipersexualizado, percebem? Que tal, a mulata brasileira? Que tal uma certa visão de que mulheres negras sempre sabem sambar!! Urrú! Ok, parece meio distante uma coisa da outra....Mas um dos ícones do carnaval é ou não é a mulata? Outras grandes marcas do carnaval são ou não a nudez e o sexo? Fica difícil para uma mulher negra depois vir dizer que não quer sexo, não é? (Espero que estejam percebendo o tom irônico). O fato é que a violência contra a mulher negra é muito maior....Seja sexual, simbólica.....

Bom, só estou falando um pouco das coisas que me fazem pensar, não pirar e querer alucinar com deus e todo mundo (como certas pessoas acham que eu faria ou faço). Só que isso faz parte da nossa cultura, não sei qual é o problema de refletir sobre a realidade que vivo.

É...acho que desta vez ninguém vai comentar esse post hehehehehe

O fato é que o racismo está aqui em algum lugar entre e/ou dentro de nós, e age em lugares que nem sempre enxergamos e até achamos engraçado, sem nos darmos conta que alguma coisa ali tá sendo perpetuada e permitindo que se construa uma base sólida para várias desigualdades sociais.


postado por: Camilla Valadares

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Terça-feira, Junho 21, 2005

ok, amanhã eu começo...



roubei no orkut, parece a Janaína e a Chantilly


postado por: Camilla Valadares

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De volta para o passado Blogger
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